sexta-feira, 5 de maio de 2017

Quando a humanidade sofre por amor

"Em meio a doenças de características diversas começa a corrida para diminuir a dor. Uma busca desesperada por algo que atenue o sintoma: uma festa, uma droga, um seriado, um medicamento ou ainda qualquer tipo de relacionamento. Tudo para ofuscar a incapacidade interna de burlar o condicionamento social e se admitir sensível e incapaz de viver de forma tão artificial e incoerente com o coração."


Existe uma solidão assolando a humanidade.

As pessoas se comunicam o tempo todo através de dispositivos e redes sociais, mas ainda assim se sentem sós como nunca. É como mascar chiclete quando se está com fome: o coraçãozinho da mensagem nunca nutre e acolhe como um ato de amor real, pessoal, com olhos nos olhos, mão na mão. Nenhuma mensagem é capaz de substituir o calor do corpo, um abraço, uma mão no ombro em momentos de dificuldade.

“Olhe para mim”. Eu sinto que a humanidade diz o tempo todo “Olhe para mim!”. “Olhe nos meus olhos, segure a minha mão, escute o meu coração. Por favor, olhe para mim...”
Mas olhares são cada vez mais raros hoje em dia. Por detrás dos sorrisos nas fotos, as pessoas seguem mecanizadas, reprimidas, doentes. Tudo é tão veloz e os momentos de prazer são curtos. Paira um desejo intenso de eternizá-los nas fotos que nunca são revistas até que se perdem na nuvem de stress e ansiedade.

Em meio a doenças de características diversas começa a corrida para diminuir a dor. Uma busca desesperada por algo que atenue o sintoma: uma festa, uma droga, um seriado, um medicamento ou ainda qualquer tipo de relacionamento que ofusque a incapacidade interna de burlar o condicionamento social e se admitir sensível e incapaz de viver de forma tão artificial e incoerente com o coração.

E a alma continua dizendo “olhe para mim”...

O filho nasce. Os pais estão já mecanizados, tensos numa forma de descobrir como sobreviver neste mundo veloz em que metas são estabelecidas acima dos limites da humanidade. A criança diz “olhe para mim!”. Ela chora, ela adoece, apresenta distúrbios de comportamento, escolares... Os pais que têm condição entregam a cuidadores, médicos, terapeutas e educadores. Os que não tem condição entregam a outros irmãos, outras crianças que vieram dizendo “olhe para mim”. Entregam a brinquedos, a jogos ou à sociedade. No trabalho, ninguém me olha. É preciso ser produtivo, implacável, responsável, trabalhar bem sob pressão. Eu chego em casa e peço ao meu companheiro ou companheira “olhe para mim”. Mas será que ele aprendeu a olhar? Será que ele se lembra como olhar? O que é um olhar? Ou ele só aprendeu enquanto seu pai lia o jornal e sua mãe cuidava da casa e dos irmãos que é melhor desistir do olhar? Aprendeu baixar as vistas no celular, num computador buscando o olhar alheio nas curtidas para suas publicações?

É uma questão de tamanho de dor: uma ausência do olhar de quem se ama dói mais do que a ausência de curtidas numa publicação. Sempre se pode dissociar, buscar um vídeo engraçado ou polêmico e assim esquecer-se de si e de sua dor.

Mas agora, mesmo aparentemente tão conectada, moderna e evoluída, a raça humana pede socorro. A natureza de “ser social”, “ser familiar”, grita e exige “Olhe para mim, me ensine a ser humano. Me ensine o que é compaixão, empatia, acolhimento. Me ensine o que é amor”
Amor não se aprende em textos. Não se exercita em curtidas. O amor se aprende nos pequenos atos presenciais. No toque, no olhar, no suspiro. No que é dito e não dito, mas vivenciado junto. No grito, no choro depois do grito e no abraço que vem depois do choro. Na raiva, na agressão e no perdão depois que vem depois agressão. No olhar profundo que vê por dentro, e também do que lembra tudo o que foi construído, sentido, sofrido e que já passou, deixando apenas o aprendizado e a sabedoria que se usufrui e vive JUNTO.

São tempos estranhos esses... Tempos de “Baleia Azul”, e também de “balas”, “doces”, de “cala boca e beija logo”, de “preparadas”, “ordinárias”, “novinhos”, “sofrência”. Mas não é a primeira vez que as pessoas se autodestroem por falta de amor. Já tivemos duelos, guerras santas e demoníacas, autoflagelação, inquisição, apartheid, boemia, ditadura, escravatura, overdose, prostituição lícita. Mas é a primeira vez que a “moda” de sofrer por falta de amor tem reconhecimento global.

Por que insistimos em viver sem amor? Por que insistimos em negar as necessidades básicas humanas, passar por cima de tudo implacavelmente e se molestar emocional, física, psíquica, espiritual e ecologicamente? Tanto desrespeito ao sentimento de humanidade... Sempre tentando ser robôs – dizer não a sensibilidade, não a intuição, não a empatia, não aos ritmos naturais do corpo e da Terra, não ao olhar. E dentro de cada um a terra seca, sem o calor do sol do interesse sensível e real; a terra morre sem a água do amor.

Olhe para mim. Olhe para mim. Eu sou um humano, olhe para mim. Eu preciso ser eu mesmo. Preciso rir, mas também preciso chorar. Preciso gritar e às vezes silenciar. Eu preciso de tempo para descobrir quem sou sem rótulos, mas também preciso de ajuda para aprender a sentir e ser sem morrer. Eu preciso da natureza, pois dela eu vim e ela me nutre de todas as formas possíveis, inclusive através do contato com outros humanos, nascidos da natureza. Olhe para mim. Me veja, me toque, me deixe te tocar. Me sinta e me deixe te sentir. Pois sou feito de você e do Todo, nem mais nem menos. E você é feito de mim e do Todo. Através dos teus olhos, me vejo e me reconheço. Através da sua dor tenho oportunidade de te tocar e me curar.


Olhe para mim. Assim o meu-seu olhar nos ensinará o que é o amor.


Vida viva para todos!
Juliana Maia

segunda-feira, 6 de março de 2017

Espírito voluntário para libertar das frustrações

"Os relacionamentos ficam mais amargos quando esperamos receber do outro um tratamento idealizado, fora do que ele é capaz de dar. Abrimos mão do nosso poder em detrimento do poder (ou da falta de) do outro. O sentimento de ser voluntário inclui a percepção de estar servindo a alguém maior dentro das condições e limites que lhe são apresentados. Este "serviço" é a escolha de abraçar a sua causa pessoal de vida com amor, dando o melhor que é possível dar por ela e aceitando do outro e do mundo a ajuda que for oferecida com leveza e gratidão." 






















Frequentemente me perguntava como me liberar das influências nocivas das expectativas.  A expectativa ou antecipação nos tira do presente e nos coloca num modo de percepção comparativa da realidade, em que acabamos por nos concentrar mais no que falta na realidade em relação ao nosso desejo do que simplesmente perceber as coisas como são, com benefícios e prejuízos por elas mesmas. Os relacionamentos ficam mais amargos quando esperamos receber do outro um tratamento idealizado, fora do que ele é capaz de dar. Isto pode acontecer em qualquer tipo de relação. A expectativa em relação ao outro também atrapalha a realização dos nossos objetivos, já que muitas vezes esperamos que uma série de pré-requisitos externos se realizem para ter nossa satisfação pessoal garantida. Abrimos mão do nosso poder em detrimento do poder (ou da falta de) do outro. 

Enfim, expectativa sempre atrapalha um pouco e produz ansiedade. E portanto era uma reflexão antiga minha. Mas, recentemente, após estudar a vida de alguns missionários - como Madre Tereza de Calcutá – observei que o estado de graça e contentamento vinham de um sentimento de se dedicar a uma causa com uma responsabilidade e um voluntariado que os colocavam na posição de “estar ali pro que desse e viesse”. Eles simplesmente escolhem levar a vida como um voluntário permanentemente a serviço e se alegram com toda ajuda que recebem, já que realizariam suas obras de qualquer forma, mesmo sozinhos.

O sentimento de ser voluntário inclui a percepção de estar servindo a alguém maior dentro das condições e limites que lhe são apresentados. Faz-se o máximo que se pode, mas somente o que se é possível fazer com os recursos que lhe são oferecidos. O voluntário faz parte de uma organização maior que solicita a ajuda e se alegra com a ajuda que foi dada, reconhecendo que o voluntário sozinho não tem condições para dar conta de todo o trabalho que há para ser feito com a perfeição de um profissional. O voluntário é limitado e amoroso, por isso trabalha de graça e se alegra simplesmente por fazer parte de uma causa nobre e colocar a disposição as forças e qualidades de que dispõe, mesmo que poucas ou incompletas.

Essa reflexão e, posteriormente, esta postura diante da vida mudou meu sentir completamente. É verdade  que, somente agora, com certo grau de conforto emocional,  pude alcançar com profundidade esta teoria tão velha e clichê:  “abandone as expectativas”, “não julgue” etc. Afinal é difícil para alguém desnutrido ou doente se tornar um voluntário em uma causa quando ele mesmo precisa de ajuda. Mas, ao mesmo tempo, estamos sempre precisando ser salvos em algum setor, enquanto que em outros somos abundantes de recursos. Então o espírito voluntário pode ser abraçado por todos nós.

No meu caso pessoal, eu precisava abandonar a crítica exagerada nos relacionamentos interpessoais e ter mais espaço mental e emocional para ver o outro pelo que ele é, do jeitinho fofo e amoroso que fazia com meus clientes em consultório rsrs... e o espírito voluntário funcionou bem.

Funciona por que não é pelo outro, é pela Causa e a serviço da Organização Maior. Funciona por que nesse contexto não cabe questionar os recursos.  Todo mundo sabe que é necessário de alguma forma e que o outro que está sendo atendido está ferido e precisa de ajuda. O voluntário também sabe deixar o posto quando é dispensado. Ele não obriga o outro a receber sua ajuda. Ele automaticamente procura saber se há outro serviço a ser feito ou se beneficia alegremente do momento de descanso.
O espírito voluntário funcionou para mim e, acredito eu, para missionários, obreiros, voluntários e santos por que desvinculou a mente de “qual o problema” e reconectou com o “como posso ajudar”. E isso faz toda diferença no desejo de fazer o que é certo, na capacidade de perdoar e amar, na condição de Ser Feliz.

Espero que essa visão lhe possa ser útil em sua caminhada nas relações  com o outro, com a família, com o seu trabalho e com o mundo.


Vida viva para todos!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ser bom ou ser saudável

Aprenda como transitar entre a conformidade e a autenticidade sem acabar com sua  saúde ou com suas relações :-)

PS - A meditação terapêutica mencionada no vídeo acontece todas as sextas, às 19h ao vivo no meu face profissional ;-)

Inscreva-se na página para acessar a lista completa de vídeos e recebê-los em primeira mão ;)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Para quem está se reerguendo ou pensando no assunto

Lua nova












E o que morreu, morreu
A máscara que caiu
A expectativa que não se sustentou
O eu que não pode mais ser...
Morreu
E ficou a frustração, a tristezadepois da revolta contra a realidade instaladaMorreuO sonho e o sonhadorO plano e o estrategistaE ficou o vazio
Do vazio, infinitas possibilidades
Zero rigidez, não há força
Mas total liberdade
De costas para o que não existe mais
De frente para o novo
E depois que tudo se acaba
Não há medo da perda
Tudo pode ser
E com uma gota de fé
Tudo pode ser bom
De um jeito inteiramente novo
Uma outra pessoa vivendo uma outra felicidade
Mais autêntica que antes
Até que novamente inadeque-se
Ao rio que move, as pedras que rolam, a Terra que gira
A evolução nunca pára.

Ah o vazio...
Juliana Maia, 24/01/2017